Mestrado é sinónimo de insegurança?

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Como mencionei neste texto, sou grande apologista de nos questionarmos a nós próprios constantemente. De procurarmos honestamente responder ao “porquê”.

Acho que ao fazer esse exercício, frequentemente nos apercebemos que as primeiras respostas que damos são um engodo, desculpas que arranjamos para não termos de refletir sobre as nossas verdadeiras motivações.

No outro dia vi um post no facebook que me fez pensar novamente neste tema e também num artigo que escrevi em Janeiro sobre mestrados. Uma pessoa “a fazer o último ano de licenciatura e que já estava a pensar no mestrado” foi procurar saber mais sobre dois mestrados diferentes num grupo da universidade. Ambos eram da mesma área que a licenciatura e a motivação da escolha era por ser “algo que queria mesmo”.

Fazer um mestrado para enriquecimento intelectual é perfeitamente válido e é uma decisão pessoal, mas então deixemos de fingir que é uma opção de carreira. Não conheço as circunstâncias da pessoa em causa mas deixou-me a pensar no que leva realmente uma boa parte dos finalistas a continuar os estudos.

Quer-me parecer que os motivos reais raramente são exteriores. Raramente são porque querem direcionar a carreira para uma área específica ou porque é difícil conseguir emprego com a licenciatura actual. Atrevo-me a especular que os verdadeiros motivos são internos.

Quando era finalista e ouvi um colega comentar abertamente que ia tirar um mestrado porque não se sentia preparado para entrar no mercado de trabalho, encarei como uma situação isolada de síndrome de Peter Pan (ele próprio admitiu).

Hoje penso que não é de todo um caso isolado. Não quer dizer que todos os alunos que optem por esse caminho tenham medo de crescer ou de assumir responsabilidades, mas há uma certa insegurança que pode estar na raiz da decisão.
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Não sou Licenciado. E agora?

Como competir num mercado inundado de “doutores”?Dropout snapback

No mundo do marketing e dos negócios em geral, a escassez é uma ferramenta poderosa. Um produto ou um serviço que tem uma procura tão alta que as pessoas querem mais do que a empresa consegue (ou quer) oferecer. A escassez possibilita que se cobre um preço mais alto e que se crie um sentimento aspiracional: as pessoas querem aquilo que não podem ter.

É no princípio da escassez que se baseiam as edições limitadas, as reservas com meses de antecedência para conseguir mesa nos melhores restaurantes e as waitlists para comprar uma Birkin Bag.

O mesmo se aplica numa perspectiva de carreira. Profissões novas e altamente especializadas têm excelentes saídas e podem garantir ordenados brutais quase à saída da faculdade. Outras, como bem sabemos, nem tanto.

Num mundo em que ter uma licenciatura se tornou uma commodity (o contrário de um bem escasso), o canudo perdeu o valor empregabilidade, numa escala que vai desde um pouco a quase todo, dependendo da área.

Mas se uma licenciatura hoje em dia pouco vale, então o que dizer de quem não é licenciado? De quem apenas tem o 9º ano ou o ensino secundário?

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