Emigrar: compensa o que deixamos para trás?

 

Os meus pais na Broadway em Nova Iorque, 2016.

Já referi aqui antes que, ao contrário de muitos portugueses, não emigrei por falta de opções. Emigrei para partir à aventura, para conhecer outra parte do mundo, para internacionalizar a minha carreira e para ter mais liberdade financeira.

Estar longe custa a todos. A saudade não distingue tipos de emigração. Bem sei que não é nenhum consolo, mas quem partiu “obrigado” ao menos não põe tudo em causa quando a distância não perdoa.

Já perdi um Natal em família, o aniversário da minha cunhada, os 50 anos da minha sogra e o soprar das velas da minha mãe. A sobrinha que mal andava e agora já corre, fala ao telefone e teve as primeiras aulas de natação.

É nestas alturas que vêm as lágrimas ao olhos, o nó na garganta, o aperto no coração e à mente, a mesma pergunta de sempre: “será que vale a pena?”

Sou abençoada. Tudo o que ganho em estar aqui é maravilhoso mas o trade off é um preço muito alto. Especialmente naqueles dias. Especialmente hoje.

Hoje, o meu pai faz 60 anos.
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