Quando não ter experiência é um entrave

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Gosto sempre imenso de falar com profissionais de recursos humanos. Seja pelas histórias de horrores que me contam de processos de recrutamento, seja pelas histórias de pessoas que se destacam.

E ontem ouvi uma história daquelas boas que vale a pena partilhar. Aparentemente, ao entrevistar uma candidata promissora, a minha colega colocou uma questão para se certificar que a pessoa ia assumir um compromisso e que valia o investimento por parte da empresa. A pergunta era o que a candidata pretendia fazer com a sua própria empresa quando começasse a trabalhar a full time. Ou seja, como iria conseguir gerir os dois projectos e o que garantia que não ia largar o cargo em prol da empresa própria.

A resposta é das melhores que já ouvi – não só pela resposta em si mas pela postura.

A pessoa disse que seria injusto não ser considerada para o cargo por causa da empresa que tinha criado precisamente porque ninguém lhe dava emprego sem ter experiência na área.

Um exemplo de alguém que não conseguia emprego e não ficou sentada à espera que lhe dessem uma oportunidade de ganhar experiência. Pôs mãos à obra e hoje tem anos experiência, ganhos por ela mesma.

Escusado dizer que foi seleccionada.

Faças o que fizeres, lê isto.

Visto que nos próximos tempos planeio escrever mais sobre empreendedorismo do que procura de emprego e carreira no sentido mais tradicional, deixo aqui uma lista de óptimos livros que considero de leitura obrigatória na área de gestão de carreira. Podem clickar nas imagens para aceder à respectiva página da amazon UK ou procurar na vossa Fnac local pela versão em português.

Sem nenhuma ordem especial, aqui ficam.Business-Model-You-CoverBusiness Model You por Tim Clark

Este livro utiliza o Business Model Canvas (usado por empreendedores para definirem o modelo de negócio das suas empresas) e aplica a mesma lógica à carreira individual. Está cheio de exemplos práticos de profissionais das mais variadas áreas que utilizaram este método, o que te ajuda bastante a colocares o teu percurso em perspectiva, analisares os teus pontos fortes e perceberes como te deves posicionar no mercado. Começas a olhar para ti não só como uma marca mas como uma empresa de uma pessoa, que deve operar com um modelo de negócio definido.

Acho que é particularmente útil em processos de transição ou quando te sentes estagnado e precisas de perceber como evoluir, dar o passo seguinte, ou reinventar-te. Está cheio de exercícios que podes fazer e que te ajudam neste processo de auto-descoberta.

“Dream jobs are more often created than found, so they’re rarely attainable through conventional searches. Creating one requires strong self-knowledge” – in Business Model You
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Como Optimizar o Perfil de LinkedIn em 5 Passos

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Hoje faz um ano que cheguei ao Dubai, fruto de uma oportunidade de trabalho que surgiu via LinkedIn. Depois de meses a chatear-vos para lhe darem a devida importância, hoje é o dia que publico o post que tenho vindo a prometer.

Há muito a explorar nesta rede social profissional mas, para já, vou escrever uma espécie de guia para quem vai criar um perfil de raiz e para quem tem um perfil incompleto ou sub-aproveitado (e com isto acabo de englobar provavelmente 80% da população).

Pior do que não estar no LinkedIn, é ter um perfil incompleto. Mais vale ninguém te encontrar online do que encontrar e ficar com má impressão. Especialmente se estás activamente à procura de emprego porque hoje em dia se o teu CV estiver a ser considerado, podes crer que vão pesquisar por ti no LinkedIn.

Esta dica não faz parte dos 6 passos porque é tão básica que dói. Mas dada a quantidade de pessoas que não cumpre, aqui fica: MANTÉM O TEU PERFIL A-C-T-U-A-L-I-Z-A-D-O.
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Empregos de sonho…

Entre trabalho, o Mundial e visitas de amigos e família de Portugal (um acontecimento raro que urge aproveitar), tem-me sobrado pouco ou nenhum tempo para escrever.

Felizmente, as coisas acalmam agora na altura do Ramadão e já tenho alguns textos em draft. O próximo está quase, quase a sair e é sobre um tema no qual tenho vindo a insistir há bastante tempo: a importância do LinkedIn.

Enquanto não sai, gostava de partilhar um artigo que encontrei aqui perdido nuns documentos antigos e que já foi escrito há mais de 6 anos mas cheio de razão numa verdade que ainda hoje nos recusamos a aceitar:

“Great jobs, world class jobs, jobs people kill for… those jobs don’t get filled by people emailing in resumes. Ever.”

Podes ler o artigo completo aqui.

Estás pronto para trabalhar?

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Há dias escrevi sobre novas tendências de recrutamento em redes sociais na sequência de um estudo divulgado pela Jobvite.

Achei interessante que no meio das imensas estatísticas focadas em redes sociais, há um número que esconde uma dura realidade:

52% dos recrutadores prefere contratar passive job seekers como forma de competir pelo talento.

Como se já não bastasse ter de competir com milhares de outros desempregados, agora os recrutadores preferem contratar pessoas que nem sequer estão à procura de emprego.

O que é o mesmo que dizer que o rótulo “desempregado” automaticamente diminui o valor-mercado ao tornar os candidatos menos atractivos e diminui-lhes o poder de negociação. Continue with reading

Fight the power. And don’t trust the machine.

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Lembras-te quando há tempos referi aqui que não podemos deixar todos os nossos esforços de procura de emprego nas mãos de ATS’s (Applicant Tracking Systems) que fazem a triagem das candidaturas com base em keywords?

Ontem recebi mais uma prova disso.

Um email de uma empresa em cujo portal de candidatura online me inscrevi há uns tempos. “Temos uma vaga que encaixa no seu perfil: Schedule Planning Controller”.

-.-

Este programa brilhante identificou os meus 7 anos de experiencia em marketing como o perfil ideal para ir planear descolagens e aterragens de aviões. Ou whatever que é suposto fazer-se.

MEDO. Continue with reading

Redes Sociais e Emprego: Para além do LinkedIn

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Hoje em dia já ninguém duvida do alcance das Redes Sociais e há por aí bastantes artigos sobre o cuidado que devemos ter com a nossa pegada digital que nos poderá prejudicar a nível profissional.

Não deixes de ser quem és, mas ter em atenção as definições de privacidade é o mínimo.

Espanta-me que com todo este awareness, a maioria da população jovem conviva com a tecnologia há anos mas não tenha ainda começado a utilizar o potencial das redes sociais a seu favor na procura de emprego.

Muitos ainda não estão sequer no LinkedIn e dos que estão, uma boa parte tem um perfil sub-aproveitado. Continue with reading

Marketing Pessoal: a criar emprego desde 1997

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Quando o conceito de personal branding foi introduzido por Tom Peters no final dos anos 90, ter uma marca pessoal era algo reservado a executivos de topo que queriam maximizar o seu retorno financeiro ao longo da carreira.

Hoje, este conceito tem quase 20 anos e tornou-se absolutamente necessário para para qualquer profissional, mas são poucos os que páram para repensar a sua carreira em termos de marketing pessoal.

“Victorious warriors win first and then go to war, while defeated warriors go to war first and then seek to win.” – Sun Tzu

Se estamos à procura de emprego é a primeira coisa que devemos fazer pois vai influenciar tudo. Desde a nossa estratégia de job hunting ao nosso discurso em entrevista, passando pela elaboração do CV. Tudo passa a estar coerente com o nosso posicionamento.

Quando comecei este blog, dois dos primeiros posts que escrevi foram precisamente sobre a importância do marketing pessoal e o processo que me levou à criação da minha marca, tema a que dediquei um capítulo inteiro do meu livro “Licenciado. E Agora?”.

Expliquei o “porquê” quando realcei a necessidade de nos diferenciarmos no mercado de trabalho, e o o “como” quando referi o processo. Mas apercebo-me agora que nunca expliquei o “para quê.”

Felizmente, esta semana tenho a história perfeita para ilustrar o “para quê” pois acabei de assinar um contrato de trabalho para os próximos três meses.

“Então esta história do marketing pessoal é para conseguir um emprego?” – Perguntam-me vocês. Continue with reading

O Leitor Pergunta #5: Fazes cartas de apresentação?

Como alguns de vocês sabem, tenho ajudado algumas pessoas a refazer o CV.

O processo é simples: (1) analiso o CV actual e identifico pontos de melhoria (2) envio um questionário com perguntas de diagnóstico para perceber qual o objectivo e obter mais informação (3) refaço o CV com a informação que tenho.

A terceira parte é a mais complexa, é como montar um puzzle. Da informação toda que solicito apenas coloco efectivamente 1/5 no CV mas no fundo uso-a toda. É importante para perceber quais são as mais valias do cliente, como traçar o seu perfil, o que pode ser optimizado tendo em conta o objectivo…

Num mundo ideal, cada um faria este processo para si mesmo porque ninguém nos conhece melhor que nós próprios, mas a verdade é que por norma as pessoas não têm a experiência e o distanciamento necessário para o fazer. É aqui que entra o meu papel, visto que tenho já um olho treinado para a coisa (e jeito para montar puzzles!): 80% do trabalho é colocar as questões certas. E tudo é feito em conjunto com o cliente, sem modelos pré-formatados nem fórmulas “one-fits-all”.

Muitos me têm perguntado: Podes-me escrever também uma carta de apresentação? Continue with reading

O Problema das Cunhas

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“Ah, só com cunhas é que se vai lá!”. Chateia-me mais esta conversa do que as cunhas em si.

Na semana passada escrevi sobre como o mercado de trabalho mudou e como o novo Milénio trouxe com ele novos desafios na procura de emprego que exigem uma abordagem diferente. A crónica, que consiste em sugestões para mudarmos de abordagem, tem como título Ter Um Bom CV Não Chega.

Imediatamente começou a conversa do costume: “pois claro que não chega, também é preciso cunha” ou “olhemos para os exemplos de cima, temos de ser como o Relvas”.

Desculpas, desculpas, desculpas…

Digo “conversa do costume” porque, apesar de não colocar todos os portugueses no mesmo saco, nunca ouvi este tipo de discurso com tanta frequência como em Portugal. E acreditem que a cunha não é uma patente portuguesa. Não temos o exclusivo.  Continue with reading

O Leitor Pergunta #4: Devo colocar hobbies no CV?

Esta semana perguntaram-me: é aconselhado incluir os hobbies no CV?

Visto esta ser uma questão que divide até os profissionais de recrutamento resolvi deixar ao vosso critério mas parece que as opiniões aqui também se dividem. Entre cerca de 50 votos, os resultados foram os seguintes: 43% SIM, 37% NÃO, 20% NÃO SEI.

Como aqui comentaram e o RealPunch disse (e muito bem), a resposta só pode ser uma: depende.

E depende de muita coisa. Do hobbie em si, do teu grau de envolvimento no mesmo, dos skills que desenvolveste, da relevância para a função em si e do teu nível de experiência. De seguida vou desenvolver cada um destes tópicos para nos ajudar a perceber quando e como dar relevância aos hobbies. Continue with reading

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