“Isso é psicológico”

Lembro-me de há uns anos atrás ter sido comovida com a história de uma miúda de 19 anos que até então nunca havia saído do Bronx.

A minha primeira reacção foi pensar ‘como é que é possível?!’. O Bronx é um distrito enorme onde é realmente possível passar uma vida inteira sem precisar de sair. Mas por outro lado, não é uma vila isolada no meio da Índia, está ligado ao resto da cidade por uma rede de transportes abrangente.

A falta de tempo característica de uma vida difícil no bairro é apenas parte da explicação. Com Manhattan a menos de uma hora, não existe ali a distância geográfica de uma vila remota. Mas existe uma barreira talvez mais forte. A do desconforto, do sentimento de inadequação. Uma barreira psicológica.

“Isso é psicológico!” – Dizíamos nós quando éramos miúdos, querendo dizer que bastava querer para mudar, com um estalar de dedos.

Afinal parece que não era bem assim. Que as barreiras psicológicas são mas mais difíceis de ultrapassar. Aplica-se a tudo e assenta que nem uma luva numa situação de desemprego.

Hoje, por alguma razão, recordo esta história e recordo esta pergunta: Estás pronto para trabalhar?

Cursos (quase) grátis

calvin.jpgPorque a ideia central do Licenciado. E Agora? é que o fim da licenciatura é apenas o início da verdadeira aprendizagem, resolvi quebrar este silêncio de 9 meses para recomendar alguns cursos online.

Nos dias que antecedem a black friday (dia 25/11), o Udemy está a oferecer descontos em vários cursos. O catálogo é extenso, pelo que haverá certamente algo mais direccionado para a tua área profissional, mas quero chamar a atenção para alguns que se enquadram nos temas abordados aqui no blog: desenvolvimento de carreira.

Este curso fala brevemente sobre como o mercado de trabalho mudou no século XXI, como fazer um LinkedIn e CV eficazes (incluindo para passar pelos ATS’s),  preparação para entrevistas de emprego e negociação salarial. Tudo temas habituais aqui no blog mas com a vantagem de teres o fundador do Eazl como formador.

Se os artigos (link 1, link 2) que escrevi acerca de marketing pessoal te deixaram a pensar, então este curso é para ti. Tem o bónus de ser dado pelo one and only Gary Vee, uma personalidade incontornável no ecosistema das startups em Nova Iorque.

Um pouco mais dispendioso mas é um investimento bom para quem se encontra num impasse e precisa de descobrir um novo rumo profissional. Coloca questões para reflexão mas tem uma abordagem muito prática, que o autor, Tim Clark, expõe num livro que já aqui recomendei: Business Model You.

Se ambicionas trabalhar para ti próprio, este curso que vai-te colocar no mindset certo para vingares como freelancer. Recomendo absolutamente.

Have fun!

O dia em que desisti do Reddit

fb

Há cerca de um mês atrás li um post no Reddit que me fez criar uma conta. Um estudante no 12º ano que se encontrava perdido perante a decisão da escolha do curso universitário foi ao sub r/Portugal pedir conselhos a quem já passou pelo mesmo.

Se já lês o meu blog, é fácil compreender porque isto foi motivo para me registar no site e responder. O meu objectivo com o Licenciado. E Agora? sempre foi ajudar estudantes universitários, recém licenciados e jovens em início de carreira.

O que é que me custa perder 15 minutos? Respondi.

No dia seguinte, alguém com dúvidas sobre como fazer um CV. Mais tarde, uma thread sobre opções de carreira. Posts interessantes de outros emigrantes portugueses espalhados pelo mundo…

Talvez por estar fora, vi ali um elo de ligação ao que se passa em Portugal. Aos poucos, o tempo que passava no reddit foi aumentando. 

O número de posts que clickava também foi crescendo, e com ele o número de comentários pouco edificantes. Por cada utilizador com algo de interessante para dizer, há dezenas de outros que espalham diarreia verbal aí pela internet fora.

Eu, que há muito que não ligo ao Facebook onde tenho pessoas que conheço na vida real, dei por mim a perder tempo no reddit.

Eu, que curei cuidadosamente o meu twitter feed para apenas me expor a notícias e ideias interessantes como parte da minha rotina de aprendizagem diária.

Eu, que há muito escolhi rodear-me apenas de pessoas que acrescentem algo de positivo à minha vida e que eu também possa influenciar positivamente (no mundo real), dei por mim rodeada de mentalidades tacanhas no mundo virtual.

Não me recordo como fui parar ao r/Portugal, mas lembro-me de como deixei de lá ir.

Estava no metro em Manhattan a caminho do escritório, a ler idiotices machistas sobre como as mulheres em países ocidentais são umas choramingas porque querem exigir igualdade de salários no mundo empresarial.

Viagens de metro são um downtime diário que preencho sempre com leitura de livros e foi aí que me apercebi que o custo de estar no Reddit era muito superior aos benefícios da ocasional ajuda a uma ou outra pessoa (a maioria das quais não quer realmente ser ajudada).

Apaguei imediatamente a minha conta.

Desde que o fiz já dediquei mais tempo à leitura, foquei-me mais no meu trabalho, passei mais tempo a falar com pessoas no mundo real. E escrevi este post, neste blog, onde tento ajudar pessoas dispostas a aprender.

Qual é o teu Reddit?

Trabalhar no duro ≠ Trabalhar muito

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Esta semana li uma thread online onde se perguntava quais eram as profissões dos users e se estavam contentes com a remuneração. O objectivo era conhecer diferentes opções de carreira atractivas em Portugal.

Uma das coisas boas que reparei neste thread foi o facto de haver bastantes follow-up questions, perguntas específicas sobre que tipo de tarefas envolvia o dia-a-dia de certos cargos. Acho que este tipo de discussões é extremamente útil e devia ser promovido o mais cedo possível nas nossas escolas públicas, porque a verdade é que a maioria dos alunos no secundário escolhe um curso superior um pouco às escuras.

Outra coisa que me chamou a atenção foi um comentário que ouço frequentemente, do género: “Este pessoal realmente deve ser muita bom, passam a vida na net e conseguem tirar em 2-3 meses o que uma família tira num ano.”

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Ler mais: 7 Passos para criar um hábito

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Esta semana recebi uma mensagem interessante. Um ex-colega perguntou-me no whatsapp se eu tinha algum conselho para ele “arranjar” mais tempo para ler. Isto porque reparou que só facebook tem dezenas de artigos guardados, fora os livros que queria começar a ler, mas parecia nunca ter tempo.

Estava completamente em pânico porque apercebeu-se que há uma lista infinitamente longa de livros interessantes no mundo e que o tempo é um recurso escasso. Um sentimento que me é familiar.

Fiquei feliz porque quando trabalhávamos juntos tentei convencê-lo a ler alguns livros mas ele sempre me disse que, sendo uma pessoa mais visual, preferia ver vídeos. Mudou de ideias porque está à procura de emprego num país novo e viu que precisava de actualizar conhecimentos para não ficar para trás.

É uma preocupação legítima para quem quer competir no mercado ao mais alto nível. Atenção que não estou a falar de uma pessoa quase obsoleta mas sim de um millennial com imenso talento e a par das últimas tecnologias, mas que mesmo assim demorou um pouco a encaixar que apostar na área que é o futuro da profissão dele era uma inevitabilidade.
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Emprego on-demand

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Enquanto lia uma discussão sobre quais as mudanças tecnológicas que irão criar mais oportunidades para startups nos próximos 2-3 anos, deparei-me com um post extraordinário que quero deixar como reflexão.

Na realidade, toda a thread é relevante para ti pois as maiores oportunidades de negócio são também as maiores oportunidades de carreira e deves estar atento a tendências para saberes em que áreas apostar e onde investir o teu tempo. Mas, este excerto que partilho é particularmente importante porque muito em breve a sociedade ver-se-á obrigada a repensar  todo o paradigma do emprego tal como o conhecemos hoje.

A nossa geração será particularmente afectada porque, se por um lado entrámos há pouco no mercado de trabalho, por outro fomos formados no paradigma antigo e aí temos firmadas as nossas expectativas. Não estamos tão bem preparados como as gerações vindouras que provavelmente já entrarão na Universidade com plena consciência que não é garantia de emprego.  Continua a ler

Carreira no Feminino (e masculino)

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Acho que nunca escrevi um artigo sobre carreira de um ponto de vista feminino e, à parte de ter lido o Lean In (aconselho), sinceramente nunca pensei muito nisso.

Tenho noção que a discriminação de género é real, que existe um glass ceiling, irritam-me os mansplainers deste mundo, etc, mas no geral nunca me vi como uma mulher de negócios e sim como uma pessoa de negócios. Claro que já vivi situações discriminatórias mas, talvez por sempre me ter movimentado em meios tradicionalmente masculinos (futebol, hip-hop, business, etc), lido bem com isso. Sempre preferi focar-me nos meus objectivos e nunca pensei existir alguma coisa que não conseguisse alcançar se quisesse. Muito menos por ser mulher.

Antes de começares já a pensar “woohooo girl power!!“, deixa-me contar uma história. Continua a ler

8 Coisas que Aprendi sobre Trabalhar para CEOs

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Na minha carreira até aqui, tenho trabalhado quase sempre ou para mim própria, ou para um CEO. Já trabalhei para o CEO de uma multinacional, para o CEO e co-founder de uma empresa de média dimensão, e fui o número 2 do CEO de uma startup.

Apesar de todos nós no mundo empresarial termos um chefe, reportar directamente a um CEO é uma experiência completamente diferente de reportar a um middle manager ou mesmo outro executivo de topo.

Sim, os CEOs são pessoas como todos nós, com personalidades e estilos de liderança diferentes mas por norma têm algumas características em comum como, por exemplo, serem grandes visionários, terem uma agenda completamente cheia ou serem excelentes a avaliar pessoas.

Tudo isto faz com que reportar a um CEO seja uma grande experiência de aprendizagem, pelo que partilho aqui algumas das coisas mais importantes que tenho aprendido nos últimos anos.

1. Respeita o tempo do teu CEO

Ainda me lembro do silêncio awkward durante a minha primeira reunião com o CEO de uma multinacional. Só o tinha visto duas vezes no processo de entrevista e tinha sido contratada para montar um departamento novo, pelo que não fazia ideia do que era suposto fazer. Sentei-me, à espera que ele começasse a falar e ele continuou a olhar para mim, em silêncio, até que decidi improvisar e comecei a fazer perguntas.
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Ler e Avançar na Carreira: 5 Razões Para Leres Mais

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Há quem diga que se sente nua se sair de casa sem brincos. Ou sem telemóvel. Eu sinto-me despida quando saio de casa sem um livro.

Apesar de gostar imenso de ler, não venho escrever sobre a leitura enquanto hobby, forma de entretenimento ou cultura, mas sim como uma ferramenta de desenvolvimento pessoal.

Ouço pessoas comentarem que “não gostam de ler” demasiadas vezes e, embora compreenda que é uma questão pessoal, acredito que estão a fechar a porta a imensas oportunidades de carreira no mundo empresarial (e não só).

Sei que não é coincidência o facto dos meus piores anos profissionais terem sido aqueles em que trabalhava tanto que não tinha tempo para ler. Deixo aqui 5 argumentos a favor da leitura como um dos hábitos mais essenciais para a vida.

1. O Mercado Exige Aprendizagem Constante

Costumo dizer que a nossa aprendizagem enquanto profissionais começa verdadeiramente no dia em que saímos da faculdade. Ao ritmo a que o mercado evolui, estar constantemente a aprender coisas novas é uma necessidade absoluta para não sermos ultrapassados.

Não nos podemos dar ao luxo de esperar até à próxima formação paga pela empresa, temos de ser proactivos. E ler (blogs, artigos, revistas, jornais, livros, etc) é uma das melhores formas de o fazer.
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Carreira: Perseguir o sonho ou viver na realidade?

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Este tópico está na minha pipeline há quase um ano. Por algum motivo, sempre que começo a escrever este artigo, acabo por começar um novo sobre outro tema qualquer. Acho que o que me faz adiar a escrita deste artigo é o peso da responsabilidade. Todos temos sonhos por alcançar e cada pessoa tem o seu próprio percurso. Nem todos enfrentamos os mesmos obstáculos e há quem tenha mais vantagens simplesmente pelo meio onde nasceu.

Sem desvalorizar a experiência pessoal de ninguém, finalmente vou assumir uma posição.

Decidir entre fazer aquilo que gostamos ou algo que dê dinheiro é um dilema que quase todos os jovens encontram – geralmente quando saímos da faculdade e damos de caras com um mercado de trabalho saturado.

Entre aqueles que conseguem emprego, a maioria dos jovens acaba conformada num trabalho que não detesta mas que também não gosta particularmente.

Isto ou porque não sabem o que gostariam realmente de fazer e deixam-se estar confortáveis, ou porque acham que é impossível fazer o que realmente gostavam.

Será mesmo?
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Mudar de emprego sem sair do emprego

dilbert

O feedback que recebi do meu post anterior foi surpreendente. Nunca pensei que numa amostra tão pequena quanto as pessoas que lêem o Licenciado. E Agora? existisse tanta gente a identificar-se com a situação que descrevi.

Uns já abraçaram a experiência libertadora de dar o salto. Outros reconheceram estar estagnados e estão a ganhar coragem para o fazer.

Isto fez-me pensar sobre duas coisas.

A primeira é a produtividade desperdiçada. Muitas das pessoas que se manifestaram são excelentes profissionais mas que, por estarem desmotivados, estão a produzir abaixo do seu potencial e capacidades. Tínhamos todos a ganhar se gestores, do topo à primeira linha, finalmente passassem a tratar os colaboradores como pessoas e não como recursos.

Se mais managers se apercebessem desta realidade de produtividade desperdiçada, havia mais empresas como a Zappos que tem como política pagar aos colaboradores para saírem da empresa. Se, depois de passar pelo processo de formação, um colaborador aceita 5 mil euros para sair da empresa, então também não tinha a motivação e empenho necessários para ser um profissional fora de série (naquela empresa). Os 5 mil euros de incentivo à saída não são um custo mas um investimento em produtividade.

A segunda coisa é que a probabilidade de estares na situação que descrevi – estagnado num ponto sem retorno – é muito pequena.
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