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“Não entrei na Universidade. E agora?”

Há dias recebi uma mensagem que me fez recuperar esta rubrica “O Leitor Pergunta”. Um candidato ao ensino superior não foi aceite na universidade que tinha escolhido e estava perdido quanto ao que fazer a seguir.

O tom da mensagem era de grande desânimo, como é natural numa situação destas. Consigo imaginar a decepção e o sentimento de ficar sem chão quando os nossos planos saem furados, ainda para mais planos que têm repercursões no nosso futuro profissional. Para um aluno saído do 12º ano, não ingressar no ensino superior parece o fim do mundo.

Fiquei triste com a notícia mas ao mesmo tempo não consegui deixar esboçar um sorriso, ao imaginar o que eu teria feito se tivesse tido um ano para mim própria com a fome de aprendizagem que tinha aos 18 anos. Lembrei-me deste miúdo de 13 anos que desistiu da escola tradicional e do Tim Ferriss que queria fazer um MBA em Stanford mas depois viu o custo astronómico e decidiu criar ele próprio o seu “mba” com resultados muito melhores.

Não consegui conter um entusiasmo enorme por esta pessoa. Se ele conseguisse ver aquela situação com os meus olhos, com os olhos de uma pessoa que realmente entrou no curso que ele queria com 18 anos e que hoje, com mais 10 anos que ele, já leva uma década de experiência na área, ia sentir o mesmo entusiasmo. 

Entusiasmo, porque este ano que tem pela frente tem o potencial de ser um ano brutal. Uma oportunidade em vez de uma dificuldade.

Partilho aqui o que lhe escrevi. Aquilo que eu faria se me visse na situação dos milhares de candidatos que todos os anos “falham” o ingresso no ensino superior ou no seu curso de eleição.

Neste caso, o curso era marketing (com um interesse particular no digital), pelo que os meus conselhos são direccionados para essa área. Mas o que se retira aplica-se noutras esferas. Continua a ler

“Isso é psicológico”

Lembro-me de há uns anos atrás ter sido comovida com a história de uma miúda de 19 anos que até então nunca havia saído do Bronx.

A minha primeira reacção foi pensar ‘como é que é possível?!’. O Bronx é um distrito enorme onde é realmente possível passar uma vida inteira sem precisar de sair. Mas por outro lado, não é uma vila isolada no meio da Índia, está ligado ao resto da cidade por uma rede de transportes abrangente.

A falta de tempo característica de uma vida difícil no bairro é apenas parte da explicação. Com Manhattan a menos de uma hora, não existe ali a distância geográfica de uma vila remota. Mas existe uma barreira talvez mais forte. A do desconforto, do sentimento de inadequação. Uma barreira psicológica.

“Isso é psicológico!” – Dizíamos nós quando éramos miúdos, querendo dizer que bastava querer para mudar, com um estalar de dedos.

Afinal parece que não era bem assim. Que as barreiras psicológicas são mas mais difíceis de ultrapassar. Aplica-se a tudo e assenta que nem uma luva numa situação de desemprego.

Hoje, por alguma razão, recordo esta história e recordo esta pergunta: Estás pronto para trabalhar?

Cursos (quase) grátis

calvin.jpgPorque a ideia central do Licenciado. E Agora? é que o fim da licenciatura é apenas o início da verdadeira aprendizagem, resolvi quebrar este silêncio de 9 meses para recomendar alguns cursos online.

Nos dias que antecedem a black friday (dia 25/11), o Udemy está a oferecer descontos em vários cursos. O catálogo é extenso, pelo que haverá certamente algo mais direccionado para a tua área profissional, mas quero chamar a atenção para alguns que se enquadram nos temas abordados aqui no blog: desenvolvimento de carreira.

Este curso fala brevemente sobre como o mercado de trabalho mudou no século XXI, como fazer um LinkedIn e CV eficazes (incluindo para passar pelos ATS’s),  preparação para entrevistas de emprego e negociação salarial. Tudo temas habituais aqui no blog mas com a vantagem de teres o fundador do Eazl como formador.

Se os artigos (link 1, link 2) que escrevi acerca de marketing pessoal te deixaram a pensar, então este curso é para ti. Tem o bónus de ser dado pelo one and only Gary Vee, uma personalidade incontornável no ecosistema das startups em Nova Iorque.

Um pouco mais dispendioso mas é um investimento bom para quem se encontra num impasse e precisa de descobrir um novo rumo profissional. Coloca questões para reflexão mas tem uma abordagem muito prática, que o autor, Tim Clark, expõe num livro que já aqui recomendei: Business Model You.

Se ambicionas trabalhar para ti próprio, este curso que vai-te colocar no mindset certo para vingares como freelancer. Recomendo absolutamente.

Have fun!

O dia em que desisti do Reddit

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Há cerca de um mês atrás li um post no Reddit que me fez criar uma conta. Um estudante no 12º ano que se encontrava perdido perante a decisão da escolha do curso universitário foi ao sub r/Portugal pedir conselhos a quem já passou pelo mesmo.

Se já lês o meu blog, é fácil compreender porque isto foi motivo para me registar no site e responder. O meu objectivo com o Licenciado. E Agora? sempre foi ajudar estudantes universitários, recém licenciados e jovens em início de carreira.

O que é que me custa perder 15 minutos? Respondi.

No dia seguinte, alguém com dúvidas sobre como fazer um CV. Mais tarde, uma thread sobre opções de carreira. Posts interessantes de outros emigrantes portugueses espalhados pelo mundo…

Talvez por estar fora, vi ali um elo de ligação ao que se passa em Portugal. Aos poucos, o tempo que passava no reddit foi aumentando.  Continue with reading

O que é que o teu curso não te ensina?

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Uma das maiores referências na minha vida profissional e que mais influenciaram a minha forma de pensar sobre marketing, carreira e negócios no geral é o Seth Godin.

É normal que assim seja porque o Seth Godin é considerado uma das (senão A) maiores referências mundiais no que toca a marketing (e não só). O homem é um génio.

O que é interessante é que em 3 anos a tirar uma licenciatura de Marketing e Publicidade, nunca em altura alguma lemos alguma coisa dele (apesar de ter escrito mais de uma dúzia de best sellers), ou sequer o nome dele surgiu.

Tive de o descobrir sozinha, por acaso.

Hoje percebo porquê. Não é um autor que seja dado a fórmulas ou métodos, mas sim a colocar questões difíceis e guiar o leitor a descobrir a resposta por si mesmo. Exactamente o oposto de um manual escolar onde se decoram conceitos e respostas para debitar num exame.

O problema é que os desafios que nos surgem na vida e no trabalho nunca são problemas de resposta fácil. Não são exames com consulta. Por isso, deixo aqui uma questão:

O que é que o teu curso universitário não te ensina?

É isso que deves estudar.

Trabalhar no duro ≠ Trabalhar muito

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Esta semana li uma thread online onde se perguntava quais eram as profissões dos users e se estavam contentes com a remuneração. O objectivo era conhecer diferentes opções de carreira atractivas em Portugal.

Uma das coisas boas que reparei neste thread foi o facto de haver bastantes follow-up questions, perguntas específicas sobre que tipo de tarefas envolvia o dia-a-dia de certos cargos. Acho que este tipo de discussões é extremamente útil e devia ser promovido o mais cedo possível nas nossas escolas públicas, porque a verdade é que a maioria dos alunos no secundário escolhe um curso superior um pouco às escuras.

Outra coisa que me chamou a atenção foi um comentário que ouço frequentemente, do género: “Este pessoal realmente deve ser muita bom, passam a vida na net e conseguem tirar em 2-3 meses o que uma família tira num ano.”

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Ler mais: 7 Passos para criar um hábito

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Esta semana recebi uma mensagem interessante. Um ex-colega perguntou-me no whatsapp se eu tinha algum conselho para ele “arranjar” mais tempo para ler. Isto porque reparou que só facebook tem dezenas de artigos guardados, fora os livros que queria começar a ler, mas parecia nunca ter tempo.

Estava completamente em pânico porque apercebeu-se que há uma lista infinitamente longa de livros interessantes no mundo e que o tempo é um recurso escasso. Um sentimento que me é familiar.

Fiquei feliz porque quando trabalhávamos juntos tentei convencê-lo a ler alguns livros mas ele sempre me disse que, sendo uma pessoa mais visual, preferia ver vídeos. Mudou de ideias porque está à procura de emprego num país novo e viu que precisava de actualizar conhecimentos para não ficar para trás.

É uma preocupação legítima para quem quer competir no mercado ao mais alto nível. Atenção que não estou a falar de uma pessoa quase obsoleta mas sim de um millennial com imenso talento e a par das últimas tecnologias, mas que mesmo assim demorou um pouco a encaixar que apostar na área que é o futuro da profissão dele era uma inevitabilidade.
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Emprego on-demand

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Enquanto lia uma discussão sobre quais as mudanças tecnológicas que irão criar mais oportunidades para startups nos próximos 2-3 anos, deparei-me com um post extraordinário que quero deixar como reflexão.

Na realidade, toda a thread é relevante para ti pois as maiores oportunidades de negócio são também as maiores oportunidades de carreira e deves estar atento a tendências para saberes em que áreas apostar e onde investir o teu tempo. Mas, este excerto que partilho é particularmente importante porque muito em breve a sociedade ver-se-á obrigada a repensar  todo o paradigma do emprego tal como o conhecemos hoje.

A nossa geração será particularmente afectada porque, se por um lado entrámos há pouco no mercado de trabalho, por outro fomos formados no paradigma antigo e aí temos firmadas as nossas expectativas. Não estamos tão bem preparados como as gerações vindouras que provavelmente já entrarão na Universidade com plena consciência que não é garantia de emprego.  Continua a ler

Carreira no Feminino (e masculino)

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Acho que nunca escrevi um artigo sobre carreira de um ponto de vista feminino e, à parte de ter lido o Lean In (aconselho), sinceramente nunca pensei muito nisso.

Tenho noção que a discriminação de género é real, que existe um glass ceiling, irritam-me os mansplainers deste mundo, etc, mas no geral nunca me vi como uma mulher de negócios e sim como uma pessoa de negócios. Claro que já vivi situações discriminatórias mas, talvez por sempre me ter movimentado em meios tradicionalmente masculinos (futebol, hip-hop, business, etc), lido bem com isso. Sempre preferi focar-me nos meus objectivos e nunca pensei existir alguma coisa que não conseguisse alcançar se quisesse. Muito menos por ser mulher.

Antes de começares já a pensar “woohooo girl power!!“, deixa-me contar uma história. Continua a ler

Novidades do Licenciado. E Agora?

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Passaram-se meses desde o meu último post e tenho-me debatido com a decisão entre deixar morrer de vez o Licenciado. E Agora? ou voltar a escrever ainda que com uma frequência (muito) incerta.

Até ver optei pela última, por isso deixo aqui um update do que se tem passado nestes últimos meses de hiato no blog.

Em Maio do ano passado ganhei a diversity visa lottery. Após um processo de entrevista e um longo ano de espera, deram-me um green card que me permite residir legalmente nos Estados Unidos por tempo indeterminado.

Sem pensar duas vezes, comecei a trabalhar num projecto que tinha na gaveta há algum tempo, despedi-me do meu emprego, vendi outra vez tudo o que tinha, fiz as malas, passei dois meses em Portugal com a família e comprei um bilhete só de ida para JFK. Continua a ler

A Vida é mais do que um Ofício

Escrevo frequentemente sobre fazer coisas diferentes, fora da nossa zona de conforto. Sobre não seguirmos um caminho tradicional e sermos persistentes naquilo em que acreditamos.

Para mim é fácil escrever sobre estes temas porque não segui uma carreira tradicional mas sobretudo porque vivo rodeada de exemplos de pessoas que desafiam o status quo.

Uma dessas pessoas é o Miguel.

Conheci-o como Espanhol (nome artístico) há quase 10 anos atrás num festival de Hip Hop que organizei e desde aí que acompanho o seu percurso. O Miguel é um artista independente que nunca se conformou com as limitações impostas pela dimensão do mercado português.

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8 Coisas que Aprendi sobre Trabalhar para CEOs

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Na minha carreira até aqui, tenho trabalhado quase sempre ou para mim própria, ou para um CEO. Já trabalhei para o CEO de uma multinacional, para o CEO e co-founder de uma empresa de média dimensão, e fui o número 2 do CEO de uma startup.

Apesar de todos nós no mundo empresarial termos um chefe, reportar directamente a um CEO é uma experiência completamente diferente de reportar a um middle manager ou mesmo outro executivo de topo.

Sim, os CEOs são pessoas como todos nós, com personalidades e estilos de liderança diferentes mas por norma têm algumas características em comum como, por exemplo, serem grandes visionários, terem uma agenda completamente cheia ou serem excelentes a avaliar pessoas.

Tudo isto faz com que reportar a um CEO seja uma grande experiência de aprendizagem, pelo que partilho aqui algumas das coisas mais importantes que tenho aprendido nos últimos anos.

1. Respeita o tempo do teu CEO

Ainda me lembro do silêncio awkward durante a minha primeira reunião com o CEO de uma multinacional. Só o tinha visto duas vezes no processo de entrevista e tinha sido contratada para montar um departamento novo, pelo que não fazia ideia do que era suposto fazer. Sentei-me, à espera que ele começasse a falar e ele continuou a olhar para mim, em silêncio, até que decidi improvisar e comecei a fazer perguntas.
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