Emigrar para os EUA – Diversity Visa

“Como é que conseguiste ir viver para os EUA”?

Esta é uma pergunta que ouço frequentemente desde que me mudei do Dubai para Nova Iorque há dois anos atrás. É uma pergunta que por vezes assume sentidos diferentes, desde “como é que arranjaste emprego?” a “como é que te adaptaste a uma cultura tão diferente?”, mas por norma tende a incidir na questão legal. Na questão do visto de imigração.

Os Estados Unidos é um país de acesso notoriamente difícil e existem vários tipos de vistos diferentes (post sobre isso em breve), mas no meu caso particular foi através de um programa que está neste momento aberto a inscrições: a Diversity Visa Lottery.

Também conhecido como “lotaria do green card”, a DV Lottery é uma iniciativa que todos os anos disponibiliza cerca de 50 mil vistos de imigração para nacionais de países pouco representados na população americana.

Por exemplo, visto que já existe um grande número de mexicanos, ingleses, chineses e brasileiros a residir nos EUA, pessoas destes países não são elegíveis para obter um visto deste tipo. Por outro lado, visto que a comunidade de emigrantes portugueses é relativamente pequena, é possível participares no programa desde que tenhas completado ensino secundário.

Como funciona?

Como o nome indica, é literalmente uma lotaria: a lista de “vencedores” (i.e. pessoas pré-seleccionadas) é gerada aleatoriamente por um algoritmo. Para entrares, basta preencheres um formulário no site oficial e esperar que saiam os resultados meses depois. Apenas podes submeter uma inscrição senão és automaticamente desqualificado.

Qual é o prazo de inscrição?

Por norma é sempre durante o Outono. Este ano está a decorrer a DV-2019 para vistos a ser emitidos durante o ano fiscal de 2019. As inscrições estão abertas neste preciso momento até dia 22 de Novembro.

Como é que sei se fui pré-seleccionado?

A data em que os resultados são publicados é-te comunicada na altura da inscrição mas geralmente costuma ser sempre no ano seguinte durante a Primavera. Para a DV-2019, os resultados são publicados no dia 15 de Maio de 2018. Para verificares se foste pré-seleccionado basta regressares ao site oficial e introduzires o número de confirmação que te é fornecido durante a inscrição (não o percas!).

Quais são as minhas hipóteses de conseguir um diversity visa?

Muito pequenas. As probabilidades exactas variam de continente para continente e de país para país, mas para teres uma ideia, estima-se que 10 milhões de pessoas se inscrevam todos os anos e apenas há 50 mil vistos disponíveis. Mas hey, não é impossível e eu sou prova disso.

C’um caraças! E se for seleccionado?

Depois de fazeres a tua happy dance como eu fiz, prepara-te para uma looonga espera. Ainda tens um caminho demorado pela frente a dar seguimento ao processo. Tens de reunir imensos documentos, passar um background check, pagar uma taxa e ir a uma entrevista numa embaixada americana. Tudo isto tem prazos próprios e as entrevistas são marcadas por ordem, consoante o número de confirmação que te calha aleatoriamente quando és pré-seleccionado.

Para teres uma ideia, eu candidatei-me à DV-2015 em Outubro de 2013, soube que tinha sido seleccionada em Maio de 2014 e só em Junho de 2015 é que tive a minha entrevista na embaixada americana onde me foi dada uma autorização no passaporte. E mesmo assim quando desembarquei no aeroporto JFK em Outubro de 2015 ainda tive de passar por um agente da imigração que me poderia ter mandado dar meia volta (raro mas acontece).

Além disso, tenho escrito sempre propositadamente pré-seleccionado porque “ganhar a lotaria” não é garantia de ter um green card. Isto porque é seleccionado um número de pessoas maior do que o de vistos disponíveis pois muitas acabam por ser desqualificadas, outras não são aprovadas na entrevista e outras nem sequer seguem com o processo ou desistem a meio. Para muitos países pobres, só as taxas do visto para uma família inteira são custos proibitivos.

Por outro lado, os vistos são para os seleccionados + família imediata (esposo/a e filhos), pelo que podem até esgotar antes do teu número ser chamado para entrevista. Quanto maior for o teu número, menor é a probabilidade de vires a ser chamado antes que esgotem os vistos.

Se passares todas estas fases, tens seis meses para emigrar a partir da data que te põem o visto no passaporte na entrevista.

Dois anos depois de teres o green card, aconselhas?

Sem dúvida. Os Estados Unidos têm oportunidades de carreira sem paralelo e é um mercado tão difícil de aceder que vale a pena tentar. Não perdes nada. A inscrição é gratuita e se realmente fores pré-seleccionado nada te obriga a avançares com o processo. Se o fizeres, emigrares e achares que não é para ti, também podes sempre abandonar o green card e regressar a Portugal com uma experiência valiosa na bagagem. A meu ver, só tens a ganhar em ter portas abertas.

É que de outra forma, as probabilidades de conseguir um emprego aqui sem ter já um green card são limitadíssimas, como irei expor num futuro post sobre vistos americanos. E mesmo conseguindo, este é um dos melhores vistos que se pode ter. Não está dependente de família ou emprego portanto nunca o perdes a não ser que abandones o país de vez. Tem uma validade de 10 anos e após 5 anos podes pedir cidadania se assim o quiseres. É quase como se fosse vitalício.

O meu conselho é tentares a tua sorte. E já. Com o actual Governo não se sabe até quando este programa, que existe há mais de 20 anos, irá durar.

AVISO: A informação contida neste post é um resumo baseado na minha experiência e conhecimento limitado pelo que deves sempre consultar fontes oficiais como esta página. Aconselho-te a consultares também este documento oficial com as instruções de preenchimento da inscrição e respostas às perguntas mais frequentes.

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