“Não entrei na Universidade. E agora?”

Há dias recebi uma mensagem que me fez recuperar esta rubrica “O Leitor Pergunta”. Um candidato ao ensino superior não foi aceite na universidade que tinha escolhido e estava perdido quanto ao que fazer a seguir.

O tom da mensagem era de grande desânimo, como é natural numa situação destas. Consigo imaginar a decepção e o sentimento de ficar sem chão quando os nossos planos saem furados, ainda para mais planos que têm repercursões no nosso futuro profissional. Para um aluno saído do 12º ano, não ingressar no ensino superior parece o fim do mundo.

Fiquei triste com a notícia mas ao mesmo tempo não consegui deixar esboçar um sorriso, ao imaginar o que eu teria feito se tivesse tido um ano para mim própria com a fome de aprendizagem que tinha aos 18 anos. Lembrei-me deste miúdo de 13 anos que desistiu da escola tradicional e do Tim Ferriss que queria fazer um MBA em Stanford mas depois viu o custo astronómico e decidiu criar ele próprio o seu “mba” com resultados muito melhores.

Não consegui conter um entusiasmo enorme por esta pessoa. Se ele conseguisse ver aquela situação com os meus olhos, com os olhos de uma pessoa que realmente entrou no curso que ele queria com 18 anos e que hoje, com mais 10 anos que ele, já leva uma década de experiência na área, ia sentir o mesmo entusiasmo. 

Entusiasmo, porque este ano que tem pela frente tem o potencial de ser um ano brutal. Uma oportunidade em vez de uma dificuldade.

Partilho aqui o que lhe escrevi. Aquilo que eu faria se me visse na situação dos milhares de candidatos que todos os anos “falham” o ingresso no ensino superior ou no seu curso de eleição.

Neste caso, o curso era marketing (com um interesse particular no digital), pelo que os meus conselhos são direccionados para essa área. Mas o que se retira aplica-se noutras esferas.

Se pensares bem, todos os alunos que entraram no curso vão fazer a mesma coisa: ir às aulas (muitas delas desinteressantes), ouvir o que os professores têm a dizer (alguns são secantes), fazer uns quantos trabalhos práticos e decorar matéria para despejar num exame. Se calhar 10% dos alunos vai apaixonar-se realmente pela área de marketing e devorar todos os livros que encontrar, procurar interagir com profissionais da área e desenvolver projectos fora do plano curricular. Os outros 90% provavelmente vão fazer ou o mínimo possível para passar às cadeiras ou estudar “para ter boas notas”.

Já tu, se te conseguires automotivar, tens um ano inteiro para aprenderes por ti próprio. Seres tu a definir o teu currículo a 100% e de forma completamente direccionada para os teus interesses e o que o mercado pede vs. o bullshit teórico que se tem que decorar na faculdade. Cadeiras que, honestamente, não têm relevância nenhuma no meio profissional. Tu podes ser como o top 10% dos alunos que ingressaram no curso, com a vantagem que não tens um horário académico por cumprir.

Eu encorajava-te a fazeres isso mesmo. Em tirares este ano para te imergires completamente em marketing. E daqui a um ano vês as tuas possibilidades: trabalhar na área ou mesmo recandidatares-te à universidade, se ter um curso superior for importante para ti. Embora sejam bases boas, trabalhar em marketing digital não exige um curso superior. Precisas, sim, de conhecimentos práticos. De ter um histórico de projectos desenvolvidos e resultados alcançados.

Deixo aqui 8 sugestões de coisas que podes (deves) fazer neste ano.

1. Ler todos os livros sobre marketing que consigas.

Lê sobre temas diferentes porque marketing é uma área muito abrangente e vais precisar desse conhecimento teórico alargado para ser um profissional completo. Perde-te na fnac uma tarde e vai folheando vários livros para ver o que te desperta o interesse.

2. Comprar a revista marketeer todos os meses.

Ou lê-la nalgum sítio de forma gratuita. É sempre bom estar a par do que se passa no mercado português, conhecer as marcas que gostas e o que andam a fazer as empresas bem como as pessoas que te podem um dia empregar.

3. Começar a seguir blogs sobre marketing e marketing digital em particular.

Alguns bons são o o do Seth Godin (marketing no geral, bastante mot motivador), Moz (SEO), Hubspot (inbound marketing), Neil Patel (online marketing) e Contently (content marketing).

4. Ir a conferências e outros eventos.

Muitos nas próprias universidades são abertos ao público. Esforça-te por fazeres perguntas aos oradores e conheceres outras pessoas.

5. Ver palestras online, tutoriais e fazer cursos gratuitos.

Aconselho-te a começares por este no coursera que é óptimo para ficares com bases teóricas de marketing no geral. Depois para marketing digital existem imensos mais práticos.

6. Criar uma conta no twitter e começar a seguir referências na área.

Cria o hábito de abrires o twitter todos os dias e ires lendo os artigos que a tua lista partilha. Faz retweet de artigos interessantes e vai partilhando coisas que lês também.

7. Começar um projecto próprio para aplicar os conhecimentos que se vão aprendendo.

Uma das melhores formas é começar um blog sobre um tópico de interesse. Pode inclusive ser sobre este teu ano de auto-aprendizagem. Depois vais usando as ferramentas de marketing digital para o promoveres. Marketing só se aprende fazendo. Além disso, estes projectos contam como portefólio e dão-te resultados que podes apresentar na hora de conseguir um emprego.

8. Pesquisar uma associação ou outro projecto que gostes e oferecer os teus serviços de graça.

Depois de ganhares alguma experiência com o teu próprio blog, encara isto como um estágio e construção de portfólio na área de marketing digital. São os resultados que fores atingindo que depois te vão permitir começar a cobrar por esse serviço.

Parece-te viável?

O mais importante de tudo é criares uma rotina de trabalho e todos os dias completares algumas tarefas. Se não o fizeres, vais perder o ano a procrastinar. É essa a vantagem que os 90% no ensino superior têm sobre ti – são “obrigados” a fazer as coisas. Mas se te conseguires auto-motivar, estás à frente dos 10%.

Se não entraste no ensino superior, não é o fim do mundo. Levanta a cabeça, inspira-te nesta lista de sugestões e vê como podes criar o teu próprio “curso”.

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