Trabalhar no duro ≠ Trabalhar muito

dilbert_august_3_2015

Esta semana li uma thread online onde se perguntava quais eram as profissões dos users e se estavam contentes com a remuneração. O objectivo era conhecer diferentes opções de carreira atractivas em Portugal.

Uma das coisas boas que reparei neste thread foi o facto de haver bastantes follow-up questions, perguntas específicas sobre que tipo de tarefas envolvia o dia-a-dia de certos cargos. Acho que este tipo de discussões é extremamente útil e devia ser promovido o mais cedo possível nas nossas escolas públicas, porque a verdade é que a maioria dos alunos no secundário escolhe um curso superior um pouco às escuras.

Outra coisa que me chamou a atenção foi um comentário que ouço frequentemente, do género: “Este pessoal realmente deve ser muita bom, passam a vida na net e conseguem tirar em 2-3 meses o que uma família tira num ano.”

À superfície este comentário é acertado. É a crítica àquele estereotipo de funcionário público que de hora em hora está na pausa para o café e cigarrinho, ou à nossa geração de attention span curto que passa a vida a ver as notificações no smartphone.

Mas se pensarmos bem, este comentário tão típico também revela uma postura que está tão entranhada na nossa sociedade que nem nos apercebemos. Aquela mentalidade da Era industrial, do picar o ponto, em que o que conta é o número de horas trabalhadas, e não o produto do trabalho.

Esta é uma distinção importantíssima para a nossa geração e que nos afecta em tudo na nossa carreira. No emprego que arranjamos, no salário que temos, na nossa evolução profissional e nossa realização pessoal.

Percebe que o te diferencia são os teus resultados e é isso que deve constar num CV, não o facto de teres passado X tempo a fazer Y tarefas na empresa Z.

Percebe que num emprego qualificado, quando estás a negociar um salário, não estás a prometer X número de horas da tua presença física em troca de euros. Estás a prometer entregar determinado valor em troca de uma compensação monetária. E é com base nesse valor que podes (e deves) pedir mais dinheiro do que a empresa pagaria a outro candidato a concorrer pela mesma vaga.

Percebe que é possível aumentares a tua produtividade e trabalhares menos horas. Que consegues entregar os mesmos resultados sem ficar na empresa até às 20h e até (pasme-se!) com pausas de facebook pelo meio.

Que o facto de trabalharmos todos das 9h às 18h é uma convenção social que alguém se lembrou de criar e que não tem de ser a norma. Aliás, é uma estupidez absoluta que implica uma perda de produtividade nacional enorme ao obrigar milhares de pessoas a desperdiçarem centenas de horas no trânsito todos os anos.

Que há uma diferença entre trabalhar no duro e trabalhar muitas horas, e nem sempre ambas andam de mãos dadas.

(Se te interessas pelo tema de maximizar o produto do teu trabalho, ou do trabalho da tua equipa, recomendo este livro).

 

2 comments

Deixa um comentário

Subscrever

Recebe posts novos directamente no teu email.