Carreira no Feminino (e masculino)

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Acho que nunca escrevi um artigo sobre carreira de um ponto de vista feminino e, à parte de ter lido o Lean In (aconselho), sinceramente nunca pensei muito nisso.

Tenho noção que a discriminação de género é real, que existe um glass ceiling, irritam-me os mansplainers deste mundo, etc, mas no geral nunca me vi como uma mulher de negócios e sim como uma pessoa de negócios. Claro que já vivi situações discriminatórias mas, talvez por sempre me ter movimentado em meios tradicionalmente masculinos (futebol, hip-hop, business, etc), lido bem com isso. Sempre preferi focar-me nos meus objectivos e nunca pensei existir alguma coisa que não conseguisse alcançar se quisesse. Muito menos por ser mulher.

Antes de começares já a pensar “woohooo girl power!!“, deixa-me contar uma história.

Durante o meu último mês no Dubai, estava a almoçar com uma das co-founders do grupo onde trabalhei quando dei por mim a fazer esta pergunta:

– “Como é consegues fazer tudo?”

Perante mim estava uma mulher nos seus 40s, que começou uma empresa que viria a tornar-se num grupo cujo board ela preside, onde trabalha imensas horas por dia, ao mesmo tempo que é uma mãe extremamente dedicada às quatro (!!) filhas. A resposta foi completamente inesperada e nada feminista:

– “Por causa do meu marido. Ele mantém-me saudável porque ele é que prepara as refeições, ele ajuda-me com as meninas e a gerir a nossa casa.”

– “Não é a resposta que esperava…”

(…) Risos.

– “Eu sei. Algo que ajudou bastante foi o facto de termos começado os dois negócios ao mesmo tempo. Estávamos os dois focados em fazer crescer as empresas e passámos pelas mesmas coisas juntos. Quando a nossa primeira filha nasceu estavamos on the same page. Somos uma equipa.” 

Há aqui muita humildade à mistura mas também há uma verdade inegável. Por mais que tentemos ser super mulheres (e muitas são), há uma opção de carreira que raramente é discutida neste contexto.

Duas pessoas a remar em sentidos opostos permanecem estagnadas (e cansadas), uma pessoa sozinha a remar em frente, avança, mas duas pessoas a remarem no mesmo sentido avançam mais rápido.

Todos concordamos que as pessoas que nos rodeiam têm uma influência tremenda sobre quem somos e o que conseguimos atingir. Pelas conversas que temos, pelos incentivos e desafios, pela energia que é contagiante, pelas portas que nos abrem… Isto é certo quando falamos do nosso grupo de amigos, círculos sociais e networks profissionais, mas aplica-se em dobro à pessoa que temos do nosso lado.

Sempre fui uma ambiciosa mas sei que nunca teria chegado onde estou sem o Tiago. Sem o meu marido, provavelmente nunca teria trabalhado no Dubai ou em Nova Iorque. E mesmo que porventura chegasse até aqui sozinha, teria levado muito mais tempo.

Não digo isto no sentido comum, de ter um apoio importante. É algo mais profundo. É ser uma equipa em tudo, e ver o meu esforço ganhar momentum porque é multiplicado por dois. É sentir uma segurança e estabilidade incrível que me permite arriscar noutras áreas da minha vida.

É estar confiante no futuro, porque casei com um homem que não só amo mas que está alinhado comigo em tudo. Que tem os mesmos objectivos profissionais e financeiros, as mesmas convicções e a mesma forma de estar na vida.

Como mulher que afinal já começa a pensar em carreira no feminino porque está hoje oficialmente a um ano dos trinta e a entrar na fase de planear conciliar trabalho+família, digo-te que uma das decisões mais importantes que podes tomar na tua carreira é garantir que tens o namorado/a, marido ou mulher certa do teu lado.

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