O Leitor Pergunta #5: Fazes cartas de apresentação?

Como alguns de vocês sabem, tenho ajudado algumas pessoas a refazer o CV.

O processo é simples: (1) analiso o CV actual e identifico pontos de melhoria (2) envio um questionário com perguntas de diagnóstico para perceber qual o objectivo e obter mais informação (3) refaço o CV com a informação que tenho.

A terceira parte é a mais complexa, é como montar um puzzle. Da informação toda que solicito apenas coloco efectivamente 1/5 no CV mas no fundo uso-a toda. É importante para perceber quais são as mais valias do cliente, como traçar o seu perfil, o que pode ser optimizado tendo em conta o objectivo…

Num mundo ideal, cada um faria este processo para si mesmo porque ninguém nos conhece melhor que nós próprios, mas a verdade é que por norma as pessoas não têm a experiência e o distanciamento necessário para o fazer. É aqui que entra o meu papel, visto que tenho já um olho treinado para a coisa (e jeito para montar puzzles!): 80% do trabalho é colocar as questões certas. E tudo é feito em conjunto com o cliente, sem modelos pré-formatados nem fórmulas “one-fits-all”.

Muitos me têm perguntado: Podes-me escrever também uma carta de apresentação?

Embora TODAS as empresas de CV Writing o façam, tenho sempre recusado por uma questão de princípio.

Podia ganhar dinheiro com isso? Podia. Há empresas que cobram entre 50 a 150 euros. Mas eu não acredito em cartas de apresentação portanto prefiro não enganar as pessoas, mesmo que fiquem desiludidas com a resposta.

Acho que é fundamental enviar algo com o CV mas não a típica carta de apresentação… “Exma Sr. Director dos Recursos Humanos” e depois vem uma página inteira a falar de ti, das tuas qualidades e dos empregos todos que tiveste… Booooring!

As pessoas que fazem recrutamento recebem centenas de cartas com discurso pré-formatado e percebem logo que é uma carta igual para todos. Aliás, alguns candidatos até se esquecem de editar a carta antes de enviar vai com o nome errado.

Quando trabalhava numa empresa de eventos, recebi uma vez um email de uma candidata que estava muito motivada para trabalhar na minha “prestigiada empresa de restauração e catering” ahahahah!

Sabes o que acontece a estes emails/cartas? São apagadas juntamente com o CV. Ou na melhor das hipóteses recebem uma descompostura como a resposta que me dei ao trabalho de escrever àquela candidata. Digo “melhor” hipótese porque mais vale ter feedback honesto e aprender do que continuar na ignorância a cometer os mesmos erros.

Que tipo de carta é que se deve então enviar?

Bom, isso depende da abordagem mas uma coisa que é obrigatória é ser personalizada. E personalizada não significa colocar o nome da empresa. Significa que tens de fazer alguma pesquisa prévia. Tens de perceber o negócio da empresa, o mercado onde actua e quais são os desafios que poderá estar a enfrentar no momento.

Uma das referências que tenho no mundo dos recursos humanos é uma senhora chamada Liz Ryan que foi Vice Presidente de RH nalgumas das maiores empresas americanas durante 20 anos. Ela também recomenda que deixemos de lado as cartas de apresentação e apostemos no que chamou de Pain Letter (ver vídeo no topo).

O termo vem de Business Pain e pressupõe que identifiques que problema (dor) poderás resolver na empresa a que te candidatas. Ou seja, tens de colocar-te na pele do teu futuro chefe e pensar no que o deixa acordado à noite.

Ela sugere que uma carta deste género deve ser sucinta e incluir 4 partes:

  1. Opening Hook: Começa por elogiar o hiring manager por alguma conquista recente (ex: o lançamento de um novo produto);
  2. Pain Hypothesis: Um possível problema ou desafio que a empresa/departamento possa estar a enfrentar;
  3. Dragon-Slaying Story: Um exemplo retirado da tua experiência profissional sobre como já lidaste com o mesmo problema no passado e o resolveste;
  4. Closing Statement: Termina com uma frase simples que indique que os teus contactos estão no CV anexo, caso tenham interesse em falar mais sobre o assunto.

É por isso que não faço cartas de apresentação, porque este tipo de carta, apenas a própria pessoa a pode escrever.

Se quiseres saber mais, nada melhor que ver a própria Liz Ryan a compor uma Pain Letter em directo na Fox Business. Recomendo a entrevista toda mas se quiseres avança logo para o minuto 8:24.

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