O Leitor Pergunta #2: Não trabalho na área. E agora?

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Infelizmente há áreas profissionais saturadas, cujo mercado não tem capacidade para absorver todos os licenciados. Onde a procura de emprego é muito maior que a oferta.

Se, por um lado, não compreendo como os cursos de acesso a essas profissões estão sempre cheios (calculo que não se conheça alternativas), por outro admiro bastante uma pessoa que, por ser a sua paixão e vocação, segue a via do jornalismo, por exemplo.

Esta semana “conheci” a Liliana, que tem uma história bastante comum e que aqui partilho, com a devida autorização. A Liliana é licenciada em Jornalismo e fez um estágio curricular no Jornal de Notícias, onde confirmou que esta era mesmo a sua paixão. O feedback extremamente positivo confirmou o talento. Mas numa altura em que o Grupo tinha acabado de despedir 120 jornalistas, era impossível ficar.

Não conseguindo emprego a fazer o que gosta, a Liliana não ficou a viver à custa dos pais: arregaçou as mangas e tem trabalhado noutras coisas. O problema é que isso diminui ainda mais a sua empregabilidade pois está há alguns anos afastada do mundo da comunicação.

Escreveu-me para melhorar o CV, pois precisa de um trabalho que a estimule a nível intelectual.

A pergunta a ser respondida é: “Não encontrei trabalho na minha área e já lá vão alguns anos. O que posso fazer agora?”

A minha resposta vem na sequência dos posts anteriores – a melhor forma de encontrar trabalho é trabalhar.

Tomando como exemplo o jornalismo, é preciso ter o nome na página da redacção de um jornal para o fazer? Eu diria que não… Eu diria que não é preciso mais do que um computador com acesso à internet, algum tempo livre e vontade.

Começa um blog, cria uma página e escreve artigos de opinião, comenta a actualidade. Entrevista pessoas e faz reportagens de eventos. Submete alguns textos em plataformas como o P3 e envia reportagens para jornais locais. Escreve, escreve, escreve. Há imensos projectos a precisar de conteúdos.

Uma postura proactiva só tem vantagens:

  1. Mantém-te mentalmente activo e traz-te realização – compensa o desgaste que é trabalhar no Continente das 9:00 às 18:00;
  2. Vais criando “currículo”, ganhando experiência na área e fazendo contactos;
  3. Ter um projecto com presença online é uma excelente montra – e pode eventualmente trazer oportunidades de emprego remunerado.

Além disso, deves manter-te actualizado pelo que aconselho investir em formação. Não é preciso gastar dinheiro, se não tiveres possibilidades. Hoje em dia há quase tudo à nossa disposição. Lê livros e revistas, segue blogs e sites conceituados, pesquisa por cursos gratuitos em plataformas como o Skillshare ou os vários MOOCs que há por aí, como este, por exemplo.

E se te inscreveres no freelancer.com e venderes um ou outro artigo ainda fazes uns trocos.

Isto aplica-se a outras áreas também. Se queres escrever um livro, escreve. Não fiques à espera de ter editora…

Fico sempre admirada quando conheço pessoas que têm cursos de marketing digital mas não trabalham na área. Ok, por um motivo ou outro, podem não ter conseguido encontrar emprego (apesar de haver imensa oferta)… Mas bolas, maior parte das ferramentas de trabalho são grátis! Qualquer rede social permite criar conta gratuitamente ou sem gastar muito dinheiro.

Ainda por cima é uma área onde todos os dias surgem coisas novas e que é preciso estar actualizado. E venham lá com a teoria toda que quiserem mas só se fica bom por tentativa e erro: trabalhando para aprender e testando diferentes fórmulas até ter resultados.

Não é difícil. Escolhe um tema que gostes e desenvolve conteúdos. Pega numa banda independente que conheças e oferece-te para ajudar na promoção online. Ou melhor ainda, há inúmeras associações e organizações sem fins lucrativos que precisam de voluntários e de promoção. Escolhe uma causa e dedica-te.

Estás a criar portfólio e a tornar o mundo um lugar melhor. Win-win.

Rute Silva Brito

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