10 regras de ouro para um bom CV

resume embelish

Este post vem fechar um ciclo de textos sobre uma peça fundamental na procura de emprego, o CV.

Já escrevi sobre 5 erros a evitar no CV, a importância de ter uma marca pessoal, como eu defini a minha marca e hoje abordo finalmente como escrever um bom currículo

#1. Perceber que o teu CV é sobre o teu futuro e não sobre o passado

Um currículo é uma ferramenta de marketing com um objectivo muito claro: convencer o leitor a pegar no telefone e ligar-te. Não caias no erro de assumir que só porque tiveste um cargo importante ou atingiste resultados acima da média, a pessoa que está a ler o teu currículo vai fazer a ligação entre a tua experiência e os desafios que a empresa enfrenta.

Aquilo que fizeste no passado tem que ser um indicador daquilo que poderás fazer no futuro por um novo empregador. Mas tens que ser tu a fazer essa ponte. O teu CV tem de comunicar claramente os resultados que vais atingir no futuro.

#2. Fazer um CV à medida

Este ponto vem no seguimento do anterior. Um bom CV é específico. Tem em conta a empresa à qual te candidatas. Dá mais trabalho, sim, mas é mais eficaz. Desenvolve uma base e depois adapta-a à medida que fores seleccionando empresas diferentes para te candidatares.

O CV tem que apelar ao teu target de forma cirúrgica: tens de apresentar-te como a solução para o problema do leitor. Isto implica fazeres o teu trabalho de casa: pesquisar sobre a empresa e fazer a ponte entre a realidade da empresa e a tua marca pessoal. E fundamentar isso com resultados que obtiveste no passado.

Isto também se aplica em termos de formato. Enquanto que designers e publicitários podem (e devem) ser mais criativos na forma como apresentam o CV, se calhar quem trabalha em direito deve optar por um visual mais convencional e sóbrio.

#3. Escolher o formato ideal

O formato cronológico é o mais comum em Portugal mas não há nada que diga que és obrigado a usá-lo. Deves usar o formato que melhor venda a tua solução para o problema do empregador. Há uns tempos fiz um CV para um consultor de IT que tinha experiência com clientes conceituados.

Se tivessemos optado pelo formato cronológico, o que é que ficava no topo? O nome da empresa que presta os serviços aos clientes de topo, um player pequeno que ninguém conhece. Optámos por fazer um CV por projecto e listamos logo no início da secção “experiência” os projectos que o consultor trabalhou com os respectivos logos dos clientes, marcas reconhecidas em todo o mundo.

#4. Estabelecer prioridades de conteúdo

Este também vem no seguimento do anterior. O CV é um teaser, deve despertar curiosidade para o leitor te telefonar e querer saber mais. Não tens que colocar TODA a informação. O lema é triar, triar, triar. E depois da triagem, triar outra vez. E finalmente estabelecer prioridades. A informação mais importante deve vir primeiro, tal como exemplifiquei no ponto anterior.

#5. Incluir um perfil profissional

Tás a ver aquele objectivo genérico, boring e inútil que costuma vir no início do CV? Aquele que diz “objectivo: conseguir um estágio em recursos humanos” ou “desenvolver competências na área da psicologia”? Apaga já isso.

Começa o CV com um perfil profissional (ou executive summary). Um parágrafo sobre quem és enquanto profissional, que transmita a tua marca pessoal e resuma a tua carreira em dois ou três tópicos dedicados a highlights. Escolhe três conquistas profissionais que sejam impressionantes e relevantes para o cargo ao qual te candidatas.

O perfil profissional é a tua apresentação ao potencial empregador, deve criar uma boa primeira impressão. É aqui que te posicionas enquanto profissional e deves focar-te num job title específico ou num conjunto de skills não muito abrangente.

#6. Comunicar resultados em vez de listar descrições de função

Um CV não é uma lista de compras. Livra-te do modelo europeu de uma vez por todas. Não acrescenta valor. Não descrevas toda e qualquer responsabilidade que tiveste incluindo aquela vez sem exemplo em que o teu chefe te pediu para fazeres uma coisa qualquer que não estava minimamente ligada ao teu trabalho.

Este ponto geralmente é o que dói mais quando trabalho o CV dos meus clientes. As pessoas têm dificuldade em desapegarem-se de tudo o que fizeram. Acham que se não puserem tudo estão a diminuir as suas capacidades.

Não é de todo verdade. Quem tenta ser tudo para todos não é nada para ninguém. Quem se foca num skill set específico é contratado. Uma vez li um artigo chamado “Jack of All trades don’t get interviews” (J.T. O’Donnell) que dizia exactamente isso:

When a company has an open position, what they really have is a particular problem that needs to be solved. The person choose to hire will be the one that can solve the problem the best and is priced right. When you are marketing dozens of things about yourself, aka being a Jack-of-all-trades, you overwhelm hiring managers. In fact, you distract them to the point they are unable to see you as a match. Not only do you appear overqualified, but they may also assume you are overpriced as well…resulting in your resume going in the “no” pile

The Solution? Become A “Swiss Army Knife” Instead

I suggest you re-tool yourself to appear more like a Swiss Army Knife: be clear in what each of your key skills is good for and demonstrate them with precision.

Um bom CV foca-se em resultados. Para cada cargo escolhe entre 3 a 5 resultados que obtiveste e explica como chegaste lá, numa relação causa-efeito.

#7. Quantificar os teus resultados

Sempre que possível, quantifica os resultados. Usa símbolos e números porque chamam a atenção do leitor. Escreve 120.000 em vez de 120 mil. Os zeros vendem. Usa €€ e %%. É uma versão americana, mas deixo aqui um exemplo.

#8. Usar palavras-chave

Há tempos o DN publicou um artigo – “Sabia que há robôs a ler o seu currículo?” – que revelava uma estatística interessante. 95% das grandes empresas utiliza ATS’s (Applicant Tracking Systems). Diz ainda que até 75% dos CVs que os candidatos enviam são alvo de triagem por este tipo de software. E mesmo os que não são, muitas vezes passam pelo mesmo processo nas mãos de um recrutador junior.

É por isso que é importante incluires palavras-chave relacionadas com a tua área. Imagina que a checklist do recrutador (ou do ATS) diz “base de dados” e o teu CV diz “Oracle” – já foste! Mesmo que a maioria das pessoas saiba que Oracle é uma base de dados.

#9. Evitar erros comuns

Há erros óbvios que continuam a ser comuns e que te podem custar o teu próximo trabalho. Antes de enviares o teu CV revê pf exaustivamente todas as palavras para não teres erros ortográficos ou de sintaxe. Pede a um amigo para rever por ti, um par de olhos extra vale muito.

Usa um email profissional !!! Ninguém contrata o dioguinho69@hotmail.com nem a diana_coelhinha@gmail.com. Cresce e aparece. Com um endeço profissional, please.

Para mais erros a evitar, consulta o meu post.

#10. Bom senso

Já dissemos que o CV é uma ferramenta de marketing e para os que acham que marketing é enganar, aqui vai: Não é! Nunca mintas no teu currículo. Podes apresentar os factos da maneira que mais te favoreçam e podes omitir factos. Mentir nunca. Bom senso é sempre uma regra de ouro em tudo.

#11. Não há regras

Ok, deixei-te ler um texto enorme para chegar ao fim e dizer que não há regras, GOTCHA! Mas a verdade é que cada caso é um caso e por vezes nem os especialistas estão de acordo. Este post é mais um guião que um livro de regras.

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