Personal Branding: a minha marca pessoal

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Ao jeito do ditado “casa de ferreiro, espeto de pau”, só comecei a trabalhar a sério na minha marca pessoal o ano passado. Em parte porque até aqui estive afundada em trabalho, em parte porque não estava a conseguir defini-la.

Este post é a história (resumida) de como cheguei lá.

Para alguns profissionais jovens, é difícil definir a sua marca pessoa porque ainda lhe falta a experiência necessária para testar competências, desenvolver skills e encontrar um rumo. É preciso experimentarmos umas quantas coisas para percebermos em que é que somos bons.

Para outros, pode ser mais fácil, particularmente para quem saiu da faculdade e trabalhou sempre na mesma empresa. Ou sempre na mesma área. São especialistas em marketing digital. Ou são webdesigners, por exemplo.

O meu problema é o oposto. Eu gosto de muita coisa. Comecei a trabalhar cedo e já passei por vários projectos, todos eles em indústrias diferentes. Fui boa em (quase) todos.

Mas aquilo que nós fazemos não é tudo o que somos, certo? Do mesmo modo, a nossa marca pessoal não precisa nem deve ser limitada ao que fazemos.

O sector onde trabalhei mais tempo foi em eventos. Mesmo quando trabalhei noutras áreas, organizar eventos fez sempre parte das minhas responsabilidades. Logicamente, poderia assumir-me com especialista em eventos.

Porque não o faço? Porque eu não gosto particularmente de eventos. Consigo planear um evento num piscar de olhos, mas não me dá grande prazer. Não quero fazer carreira em eventos portanto não me vou posicionar como especialista.

A minha área é marketing. Acredito que é fundamental para o sucesso de qualquer empresa. Sou bastante crítica e acho que 90% dos marketers são medíocres, o que só por si é revelador que é uma das minhas paixões. Desde que me lembro, que gosto de gestão empresarial e o marketing é a função no sistema empresarial onde melhor me encaixo.

Mas marketing é uma disciplina abrangente demais e o posicionamento de qualquer marca tem que ser específico. Foi aí que considerei o marketing tribal, outro conceito que gosto e tenho explorado. Mas desta vez, é uma disciplina específica demais, o que iria limitar as minhas opções no mercado.

Apercebi-me então que há outra área da gestão que gosto desde pequena: estratégia. Sempre apontei visão estratégica como uma das minhas melhores qualidades. Não penso em soluções penso-rápido. Tenho a habilidade de olhar para a big picture e tomar decisões estratégicas.

O marketing também tem um lado operacional importante, que sou igualmente capaz de fazer (sou o tipo de pessoa que FAZ), mas o operacional para mim é quase como um mal necessário. Faço porque é preciso mas é na estratégia que sou excelente. Chateia-me quando a parte táctica não obedece a uma orientação estratégica.

Et voilà. Fiz esta ligação e cheguei ao primeiro elemento da minha marca: marketing estratégico.

Quando me decidi despedir para vir para o Dubai, fui obrigada a pensar quais seriam as minhas opções de carreira lá fora pois quase todos os anúncios pedem entre 5 a 15 anos de experiência já num sector específico. Ora, eu tenho uns 7 anos de carreira mas numas 5 indústrias diferentes!

Depois de muito pensar, fez-se luz. O ponto em comum em todas as empresas onde estive, foi que fiz sempre coisas novas. Comecei projectos do zero, lancei marcas, conceitos que não existiam. Onde não criei coisas de raiz, estabeleci uma nova direcção estratégica para projectos obsoletos. E pelo caminho ainda tive 2 negócios próprios. Procurei uma palavra que resumisse tudo isto e cheguei a empreendedorismo.

Quanto mais reflectia sobre as características de um empreendedor (necessidade de atingir metas, preferência por desafios, responsabilidade pelos resultados, predisposição para correr riscos, predisposição para ir contra a norma estabelecida, auto-motivação, individualismo, controlo, etc), mais me identificava com a definição. E assim cheguei ao segundo elemento da minha marca pessoal.

Ainda assim, parecia faltar algo. Então pus-me a pensar no que gostava de fazer que não estivesse directamente ligado à minha profissão. Hip Hop? Não é marketable e tem associações negativas. Futebol? Há 8 anos que deixei de jogar e não teria relevância. Escrever? Também não… Ou sim?

Sim! Sou uma pessoa de letras (em tempos quis ir para jornalismo, mas depois curei-me). Blogging é um hobbie mas também uso a escrita profissionalmente. Já escrevi vários artigos de opinião publicados (ainda que alguns tenham sido assinados por outro autor). Há anos que tenho um livro na gaveta.

E quando penso na direcção que quero que a minha carreira tome a longo prazo, faz todo o sentido: gostava de gerir a minha própria empresa, fazer alguma consultoria, dar aulas e escrever livros. Está na hora de começar a trabalhar nesse sentido.

E foi assim que nasceu: Rute Silva Brito, Marketing Strategist, Writer & Entrepreneur.

Isto sou eu e este foi o meu processo de reflexão, o meu caminho. Só tu podes percorrer o teu. 

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