5 Passos que vão aumentar a tua empregabilidade

collegeNo post anterior chamei a atenção para o facto de haver um distanciamento entre o ensino superior e o mercado de trabalho, e como é que isso se manifesta na prática. Neste artigo vou apresentar algumas formas de compensar essa lacuna.

Apostar nisto é um investimento. Requer um bocado de tempo e de iniciativa. Mas serás melhor profissional por isso e o teu nível de empregabilidade no final do curso é maior. Mesmo comparando com aquele gajo que nunca tirou a cara dos livros e acabou com média de 18. (Isto não é uma opinião, é um facto).

#1. Se a Empresa não vai à Escola, leva a Escola à Empresa

Se o teu curso é muito teórico e os teus profs não te dão case studies, fá-lo por ti. Sempre que tens um trabalho prático, tens uma oportunidade de falar com um especialista na área, um representante da marca, alguém que trabalha numa empresa do sector. Não é preciso ser um dos requisitos do trabalho.

Perco a conta às entrevistas que fiz durante o curso, mas na lista encontram-se António Carriço (na altura um dos directores de marketing da Vodafone), Rui Ventura (actual presidente da Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing), o director de marketing da Eastpak e a directora de comunicação do grupo amo.te.

“Ah mas eu não conheço ninguém e não me respondem aos emails…” DESCULPAS!

Na minha altura não existia uma base de contactos pública gigante chamada LinkedIn e cheguei lá sempre. Fiz telefonemas, paguei almoços, ofereceram-me cafés. As pessoas são ocupadas mas regra geral estão dispostas a ajudar.

#2. Caga nas sebentas. Lê outros livros

Ok, os artigos que os profs recomendam são importantes e aqueles calhamaços tipo Samuelson (quem é de economia sabe o que estou a falar) são essenciais para aprender as bases e passar nos exames. Mas se queres ter ideias novas e saber o que se passa no mercado hoje, vai à fnac ou à amazon e compra uns quantos livros interessantes. Lê revistas, subscreve blogs, segue especialistas no twitter.

Eu comecei a comprar a revista Marketeer todos os meses quando estava no 12º e acredita que, a julgar pelas respostas dos meus colegas à pergunta de primeira aula (o que é o marketing?), entrei na faculdade já em vantagem.

Comprei uma vez um livro chamado A Experiência Starbucks porque adorava a marca e mais tarde essa leitura ajudou-me a escrever um texto de opinião (Portugal no Mapa da Expansão Starbucks – Eixo Estratégico ou Flop Comercial?) que um prof seleccionou e submeteu para ser publicado na revista Distribuição Hoje, onde era cronista.

Pumbas. Published author aos 21 anos.

#3. Arranja um trabalho em part-time, cria projectos do zero, faz coisas

Mesmo quando se contrata para um estágio ou uma posição júnior, acredita em mim: ninguém quer um puto sem experiência nenhuma.

Infelizmente, o ensino superior em Portugal não está estruturado de forma a permitir conciliar com trabalho mas há outras formas de ganhar experiência. Vê que oportunidades existem na tua universidade para participares em actividades extra-curriculares que acrescentem valor ao CV.

Se não curtes a cena académica, transforma um hobbie num projecto. Faz voluntariado. Envolve-te numa associação juvenil. Cria uma associação juvenil. Escreve um blog. Sê empreendedor.

E se vos disser que tenho uma amiga na Google Irlanda (sede europeia) por causa dum projecto de Hip Hop? Ah pois é! Essa mesma amiga foi para a google depois de já ter licenciatura em gestão, mestrado em fiscalidade, anos de experiência na Deloitte e o que é que lhe deu o trabalho? Um projecto que ela fundou e geriu: uma revista online de hip-hop que já nem sequer existe.

Eu nunca tive grande espírito académico porque cheguei à faculdade já com interesses muito vincados, projectos e grupos de amigos cá fora. Jogava futsal federado. Fazia parte da equipa que geria o h2tuga.pt onde fazia crítica musical, entrevistava artistas de rap, organizava eventos e aplicava uns quantos conceitos de marketing que aprendi na faculdade. Quando me licenciei, o facto de jogar futsal permitiu-me criar empatia com o recrutador que me entrevistou. E o h2tuga ajudou-me a fechar o contrato na Sonae Sierra porque contou como experiência profissional. Passei à frente inclusive de colegas do meu curso que competiram para a mesma vaga e tinham melhor média.

#4. Não stresses. E falta a uma aula de vez em quando

Não stresses demasiado com a média de final de curso. Aproveita a ausência de responsabilidades maiores. Diverte-te com os teus colegas. Falta a uma aula de vez em quando e fica no bar a jogar matrecos. Os skill sociais são tão ou mais importantes que as bases teóricas. É com eles que ganhas o emprego na entrevista. É com eles que evoluis na carreira. Mesmo que os trabalhos práticos não sejam em grupo, discute problemas e procura soluções em conjunto com os teus colegas. O mercado de trabalho é cada vez mais colaborativo.

Alguns dos melhores empreendedores e das pessoas mais ricas do mundo são college dropouts. Há vida para além dos livros e da universidade.

#5. Networking – começa já!

Networking é uma arte que se aperfeiçoa com a prática e essa é apenas uma das razões pelas quais deves começar ainda na faculdade. Imagina licenciares-te e teres já uma rede de contactos no mundo empresarial que possas usar para descobrires job leads?

Sabias que 80% das vagas existentes nunca chegam a ser anunciadas online? São preenchidas directamente por recomendação. Ou por head-hunting.

Uma boa maneira de começar, além do que referi no 1º ponto, é ires a eventos. Conferências, colóquios, palestras, cocktails de apresentação de marcas, whatever. Mas não chega ir. Fala com os colegas do lado, vai ter com os oradores no final. Levanta a mão na secção de perguntas.

E quando chegares a casa, pesquisa pelas pessoas com quem falaste e adiciona-as no LinkedIn. Se não tens um perfil, está na hora de criares.

Tudo isto não é mais que senso-comum, mas as pessoas que agem em conformidade com ele não são assim tão comuns.

Qualquer coisa, manda-me um email: info@rutesilvabrito.com


 

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