Licenciado. E agora, mestre.

master yoda

Nomeei esta secção “Licenciado. E agora?” porque o tema central é a gestão do início de carreira e a maioria de nós entra licenciado no mercado de trabalho. Mas todos sabemos que desde Bolonha qualquer finalista considera pelo menos uma vez a opção de fazer um mestrado, razão que me leva a escrever este post.

Antes de mais, quero deixar bem claro que sou uma learning junky, a favor do investimento no ensino. A favor de licenciatura + mestrado tudo de enfiada, é que nem por isso.

É claro que cada caso é um caso e há cursos em que faz sentido, outros em que o mestrado é integrado e sem ele não se obtém uma licença profissional. Mas falo numa perspectiva geral e não para estes casos particulares ou para quem quer seguir uma carreira académica.

Encontrei um artigo no Expressoemprego.pt que refere porque os mestrados são uma boa opção, com muito bla bla bullshit sobre estimulação intelectual bla bla à mistura. Se estás a ponderar essa decisão, considera também as razões pelas quais pode ser uma má opção.

Começemos por esclarecer 3 mitos:

1. Os profissionais com mestrado são mais bem pagos – Isto é pura ficção. Poderá ter sido assim há 10 anos, mas hoje em dia somos todos mal pagos. Mestres ou licenciados. O que determina o salário é a função em si, especialmente em entry-level jobs onde o valor já está definido e pouca margem há para negociação.

2. A maior parte das empresas querem licenciados pré-Bolonha ou mestrados – Esta tanga esteve muito na moda mal saíram os primeiros licenciados de Bolonha (no meu ano, by the way) e ainda há alunos que acham que é assim. Não acreditem em tudo o que lêem: muitas vezes a informação divulgada serve os interesses das universidades que têm de vender mestrados. Pode ser o caso de uma pequena minoria (e se têm uma empresa em vista devem investigar os critérios) mas não é a norma. Eu fui contratada para a Sonae recém-licenciada, com mestrandos a competir pela mesma vaga.

3. Com o Processo de Bolonha, a licenciatura perdeu valor – Este é um mito em que alguns empregadores acreditam porque chegamos ao mercado de trabalho verdinhos, com 21 anos (em vez de 22, uau!) mas é fácil de contra-argumentar em entrevista. Em 3 anos fazemos o mesmo que os outros fizeram em 4, e com uma maior componente prática. Além disso, uma licenciatura + 2 anos de experiência muitas vezes vale mais que um mestrado. Se Bolonha veio desvalorizar algo, foi o mestrado porque agora qualquer pessoa tem um.

No meu último semestre, em conversa de café sobre futuro, um dos meus colegas comentou que ia fazer mestrado porque ainda não se sentia preparado para trabalhar. Basicamente, ia procrastinar 2 anos para adiar a entrada no mundo dos adultos para os 25.

Lembrei-me disto quando há uns tempos recrutei um assistente de marketing e tive uma candidata de 32 anos sem experiência e com um mestrado do IADE, que não mandava uma pra caixa. Claramente, idade não é o mesmo que maturidade e canudo nem sempre é sinónimo de conhecimento (e muito menos de qualificações profissionais).

Isto para dizer que fazer mestrado deve ser uma decisão ponderada e não resultado de falta de opções. Fazer um mestrado só porque não se consegue arranjar emprego pode ser um desastre, especialmente se o mestrado for na mesma área pois aprende-se pouco de novo. No final estás 2 anos mais velho, sem experiência e à mesma sem garantias de emprego.

Por outro lado, só depois de termos ganho experiência real no mercado é que conseguimos determinar que direcção de carreira específica iremos tomar. A realidade é muito diferente da sala de aula e há empregos e que quando somos estudantes universitários nem sabemos que existem. Ganha primeiro alguma experiência profissional e faz o mestrado depois, numa área de especialização que realmente gostes. O que se retira do curso é totalmente diferente.

Quantos alunos descobrem a meio da licenciatura que não gostam de arquitectura? Ou que afinal queriam era ir para Publicidade e não Ciências de Comunicação? Nesses casos o mestrado é uma boa forma para começar uma carreira numa área diferente mas ainda assim pode-se sempre optar por uma pós-graduação.

Por fim, deixo algumas questões a ponderar na tomada de decisão:

1. Vale a pena o investimento? Há que considerar não só o valor financeiro mas também o tempo despendido e o custo de oportunidade.

2. É possível conciliar o mestrado com algum tipo de experiência profissional, como um estágio? Exige um esforço acrescido mas ir construindo CV é uma vantagem competitiva.

3. Irá acrescentar-me valor enquanto profissional? Que vantagens reais traz em termos de competências e de valor-mercado?

4. A universidade é credível na minha área? Uma consultora Big Four mais rapidamente contrata um licenciado de gestão do ISCTE que um aluno de mestrado da Lusófona. E privado pode ser só caro, não quer dizer que seja bom. Do your research!

Much to learn we still have, indeed.

Mas há outras formas de aprendizagem ao vosso dispor, muitas delas gratuitas (ou de menor custo) em que podem apostar para continuarem actualizados na vossa área e serem melhores profissionais.

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